O som do impacto foi curto e seco. Em questões de segundos os dois gatos já estavam sobre o filhote de andorinha que havia entrado na sala e se lançado contra o vidro na esperança do vôo mais longo. Não sei como, cheguei junto com os gatos, a tempo de evitar o pior.
Agora, com o corpo minúsculo em minhas mãos, massageava seu peito magro na esperança de ativar o coração que, imaginava, estaria parado. Somente na extremidade de uma de suas garras se percebia vida pelo movimento mínimo.
A associação com o que estava por vir nos dias seguintes foi imediata. Emocionado, aumentei o ritmo da massagem porém nada dava sinal de vida. Cinco, dez minutos se passaram o aquela andorinha ali, inconsciente, em minhas mãos. Achava que sua vida dependia daquilo que eu continuava a fazer. Acho que os meus olhos embotaram-se ao olhar os seus, fechados.
Sua garra agora já não se movia mais. Pensei em desistir.
De repente, senti não uma das garras, mais todas, cravarem-se em meu dedo. Percebi que a vida voltara.
Girei o seu pequeno corpo para a posição normal e esperei. Em não mais que dez segundos, aquele filhote de andorinha retomou o seu longo vôo interrompido por uma vidraça desconhecida.
E eu alí, prostrado, fiquei imaginando o significado de tudo aquilo.
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