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27 dezembro 2005

A verdade desvendada (Depoimento)

- Tudo que venho afirmando é a pura verdade ! Porque iria mentir ? Afinal, já são três viagens ao planalto e não seria agora que estragaria minha imagem que todos no Brasil já conhecem ... O que me deixa mais chateado é que tudo parece uma montagem de meus inimigos e ainda há os que acreditam em tantas mentiras ....

- Habeas-corpus ? Não preciso disto, mas meu advogado achou melhor ... Sabem como são estes advogados, não ? De repente, pode até ajudar, mas, repito, sou homem de princípios e verdades ! Estou aqui para colaborar.

- Vou repetir para os senhores, mais uma vez : nada que faço ou fiz é pessoal ....; tudo de que possa haver participado foi feito para o grupo que me acompanhava e sobre o qual tinha alguma responsabilidade, como líder do comboio. Estávamos a mais de 80 km/h. Era quase noite e a estrada, mal conservada, gerava uma poeira muito forte. Como a poeira chegava pela frente do meu carro, não sei .... Na verdade, alguém ligou todas as luzes para que eu pudesse encontrar o caminho ... Sobre dutos, nunca ouvi falar a respeito .... Nosso carro flutuava e não havia como esbarrar em algum ....


- Não ! Nunca houve qualquer farol queimado ou desligado. Repudio qualquer insinuação de que tenha desviado um centímetro de meu caminho para comprar um farol novo ! Minha integridade moral não permitiria tal desvio ! Mesmo que houvesse qualquer insinuação, por mínima que fosse, para que eu vendesse, alterando minha decisão de prosseguir até o fim, jamais aceitaria isto ... Nunca !

- Aliás, nunca soube nem que haviam faróis naqueles carros ... Também, se haviam, isto era prática comum ... Todos os carros usavam do artifício para iluminar seus caminhos ao planalto .... Sobre o que disse à Polícia Federal, à Rodoviária, o único careca que conheci durante as minhas três viagens ao planalto, foi o pneu do carro que vinha atrás do meu, só isto.
- Se alguém pegou o dinheiro para pagar as dívidas com o eletricista, desconheço. Perguntem ao tesoureiro do grupo ... Já disse que nem sabia que o carro tinha faróis ...
Sobre o banco a que o senhor se refere, acho que não era nem forrado .... Se ainda me lembro, me parece que nem me sentei nele durante a viagem ....


- Não, não sei. Alguém foi lá e mexeu no painel. Nunca toquei naquele botão ! Investiguem que, tenho certeza, chegarão aos responsáveis por isto !! E sobre as camisetas, nunca soube que houvessem comprado alguma ... Eu mesmo, naquela noite, estava de peito nu; passei até algum frio, pois havia doado a minha camisa a um movimento social de beira de estrada ...

- Já afirmei aos senhores que era quase noite ... Sobre o fundo da pensão, como posso saber algo se nem ao menos paramos para tomar um café ? .... A única coisa que, ouvi falar, veio do estrangeiro, foi o charuto que fumamos durante a viagem ...


- Sobre isto não posso esclarecer nada, pois só olhava para a frente .... Sou um homem reto. Talvez o secretário do grupo possa responder. Reafirmo que havia muita poeira e que estávamos, todo o grupo, sem exceção, a mais de 80km/h .... O nosso presidente talvez possa esclarecer alguma coisa aos senhores ...., mas com tanta lama e poeira no caminho, quem pode garantir ? ...... Perguntem a ele, quando regressar da viagem que está fazendo ...


- Se há uma coisa que não posso admitir, mesmo de um de meus pares, é qualquer suspeita sobre minhas palavras. Sou inocente, pois nunca participei ou soube de nada ...
Jamais vi um simples raio de sol durante toda aquela viagem .... Sobre o Rural, eram tantos os carros que não sei se havia alguma delas por lá, na estrada .... Aliás, este carro não é nem do meu tempo ....


- Isto só pode ser montagem de algum grupo opositor .... Os senhores sabem, temos disputas, mesmo dentro do grupo .... Como venho repetindo desde o início, estávamos juntos, há quase 100km/h, era quase noite e havia muita poeira e fumaça no caminho .... Fora isso, não sei de mais nada e sou obrigado a dizer que tudo o mais é pura mentira. Intriga da imprensa ou da oposição ! Estão querendo mudar a minha imagem .....

(Alto Paraíso de Goiás, GO, 2005)

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