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13 janeiro 2005

Rohter, o IP número 1

Murilo Galvão

Para os mais apressados, não estamos falando do Potter, Harry Potter, sucesso atual nas bilheterias e livrarias, e sim de Larry Rohter, aquele jornalista que quase foi expulso das terras petistas por escrever sobre as preferências líquidas de nosso presidente. IP, no caso, abreviatura para "inimigo político" ou "inimigo petista" número 1. Um absurdo, gringo vir falar mal de nosso líder em nossa própria casa .... Que vá escrever sobre os clintons e de suas estagiárias, sobre o Bush e suas aversões sexuais, como já se andou publicando !

Pois agora, o moço, mais escolado, pensando que está tirando o seu da reta, conclui sua nova reportagem atribuindo palavras a um colunista de O Globo, Arnaldo Bloch, dizendo que o problema do presidente (e de sua prioridade social) não é bem a fome e sim o apetite .... Não há fome no Brasil e sim muito apetite. Coisa de pobre e, para isto, não há Fome Zero que dê certo, conclui ....

Mas o assunto não é desta vez sobre nosso lider e suas preferências à la table.

Provoca os cariocas e arrisca a se tornar o IP, "inimigo público" (carioca) ou das "praias" (cariocas) com o seu artigo de hoje no NYT (página 4, primeiro caderno, em destaque de meia página) : "Em praias para esbeltos, calorias abundam", em tradução não muito exata.

A coincidência é que, em matéria de primeira página, o mesmo jornal publica uma pequena chamada (reportagem completa na página 30) em que as autoridades de saúde norte-americanas divulgam um novo guia alimentar (ou de dieta/saúde) dando ênfase, após mais de 20 anos, à necessidade das pessoas perderem peso e não tanto se preocuparem com os problemas cardíacos advindos de uma alimentação desbalanceada.

Voltando ao nosso IP, estampa duas enormes fotos, uma delas claramente tirada em Botafogo, mostrando um par (mãe e filho) e três senhoras, realmente daqueles tipos que, passando dos limites, só nos chama atenção pelos excessos, localizados ou não.

A reportagem é séria, baseada em estudos (dez milhões de obesos no Brasil) de nosso IBGE mas não perde a oportunidade de dar suas alfinetadas nas preferências nacionais e em nosso Lula, principalmente. Coisa típica de jornalista.

A verdade é que deixamos de ser matéria eventual e policial nos jornais de cá. Ouso dizer que, tirando o recente tsunami e os eternos problemas no Iraque e na Palestina, o Brasil ocupa hoje uma posição de destaque nas poucas manchetes internacionais do NYT. O foco mudou para as notícias (quase diárias) sobre a economia tupiniquim e, eventualmente, sobre fatos exóticos, políticos ou sociais.

Em termos globais, já um avanço de marketing ou de prestígio.

De qualquer forma, no momento do Rio Fashion Week, trocar os minúsculos biquines cariocas por exuberantes barrigas e celulites explícitas, é uma provocação de que o nosso Rohter não se dá conta. Que se cuide em suas caminhadas pelo Rio ...

Mas que o problema - aquele antigo .... - é mais de apetite do que fome, concordo, e disto não tenho dúvida.

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