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16 janeiro 2005

Opiniões

Murilo Galvão

Nunca é demais conhecer diferentes análises de um mesmo problema. Quando lemos, de forma unânime, críticas à recente decisão do Itamaraty de eliminar a prova eliminatória de Inglês de seu concurso de seleção para futuros diplomatas, publica O Globo de hoje a seguinte opinião de Elio Gaspari :

"O Itamaraty precisa hablar espanhol.

Não se deve confundir o fim da exigência de domínio da língua inglesa para o ingresso na carreira diplomática com um estímulo à formação de um serviço exterior de monoglotas. Uma coisa é um jovem de 20 anos que fala um inglês insuficiente (como o do ministro Antonio Palocci), outra seria um diplomata incapaz de se expressar em inglês. O Brasil teve diversos chanceleres acorrentados ao idoma de Camões. O mais famoso deles foi o ministro Magalhães Pinto, ex-governador de Minas e dono do Banco Nacional. Só falava português e, ainda assim, preferia ouvir calado.

O ministro Celso Amorim deveria pisar mais fundo, determinando aos delegados brasileiros que discursem em espanhol nos foros internacionais, sempre que o português não for uma das línguas oficiais da reunião. Um chanceler brasileiro já passou pelo constrangimento de ser interpelado por um diplomata mexicano na Nações Unidas, que lhe disse: “Amigo, são línguas oficiais da ONU o espanhol, inglês, francês, russo e chinês. Vocês, brasileiros, são latino-americanos e insistem em falar inglês, mas ninguém entende o que vocês dizem”. À época, o embaixador brasileiro na ONU acreditava que tinha sotaque britânico.

A Viúva já sustentou diversos embaixadores brasileiros que falavam mal o português. Um deles, referindo-se ao candidato à Presidência da República que prometia mudar a capital para Brasília, comentou: “Acredito que esse senhor Oliveira sairá vitorioso”. (Era Juscelino Kubitschek de Oliveira.) "

Pode até ser ... mas vamos então colocar como eliminatória, pelo menos a prova de Espanhol, Francês, Chinês ou Russo ...

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