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11 janeiro 2005

IPTamaraty na contra-mão

Murilo Galvão

Esta vai ser curta, só para não demonstrar o tamanho da indignaçao momentânea que - felizmente - não faz parte de meus sentimentos prediletos e corriqueiros, mas que senti ao ler O Globo de hoje.

Estimo que alguns milhões de brasileiros estão matriculados em cursos de Inglês, país afora, buscando com o conhecimento desta língua universal, alavancar suas vidas, buscar novas oportunidades no campo profissional e, porque não, no lazer e na cultura ?

Como exportar falando só Português ? Como estudar (sério) sem poder ler um bom livro técnico (em Inglês) ? Como usar a Intenet de forma útil, sem o uso da moderna linguagem indecifrável ou hieróglifa dos chats ? Como usar sua máquina digital ou uma laptop só com o Português ? Como viajar, indo além do Paraguai e de Buenos Aires ?.

E é na contra-mão do mundo que o nosso Itamaraty (ou seria o PTamaraty ?) vem e elimina o Inglês como prova eliminatória em seus concursos de seleção de diplomatas. Há pouco tempo, foi a vez do Francês. Em tempo distante, tiraram o espanhol de nossos currículos como fizeram ainda antes com o Latim. Qualquer hora destas tiram o Português; afinal, quem lê e escreve bem nesta terra faz parte ou não de uma elite ?

O concurso é elitista ? Sim, é, mas não deixará de ser por esta medida xenófoba e retrógrada. O elitismo está no custo elevadíssimo de preparação dos candidatos que as nossas escolas, públicas ou particulares não conseguem prover.

Vamos ser menos reacionários e trabalhar para que o ensino em nossas escolas melhore, que preparem melhor nossos jóvens. Que estes possam, sem cursinhos ou professores particulares (de uma elite) enfrentar os concursos do Rio Branco, do ITA, de Havard, da Sorbonne ou mesmo de Havana em condições de serem aprovados. Ou estamos querendo que os históricamente abandonados do MST venham a se tornar diplomatas ? Se for, é só mudar mais um ou dois itens do edital e pronto ...

Não será abrindo cotas discriminatórias nas nossas universidades ou eliminando línguas de concursos que vamos caminhar para a frente, para o alto. Este é o caminho da contra-mão, nivelando muito por baixo o que ainda não conseguimos ter até hoje - educação.

Vamos continuar com esta política de dar tudo, menos trabalho remunerado (porque não criam um "Desemprego Zero" ?) e educação de boa qualidade (com Inglês, inclusive) para ver onde vamos parar .... Questão de tempo.

Lamentável tudo isto.

Pior é ter que, mais adiante, rever os capítulos dessa nossa novela real, de hoje : vamos olhar com olho comprido para o Chile, China e outros mais que estão universalizando o estudo do Inglês, como hoje fazemos com as malásias e singapuras da vida, não reconhecer nossos erros e acabar pondo a culpa nos outros, no PT de hoje ou nos norte-americanos sempre dominadores.

Acontece, é que o problema é que os outros somos sempre nós mesmos e nunca nos damos conta disto.

Sei, por fim, que vão dizer que não é bem assim, que vão continuar exigindo, que isto, que aquilo. Pode ser. Então vamos continuar aguardando para ver onde vamos dar (ou cair).

*** - ***
* - E acabou ficando longa .... !

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